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WpMetadataNoticeLast published Mon, Jun 15, 2015
Mais uma noite, mais uma noite que eu me sito uma pessoa sem valor, inútil, um lixo. Mais uma noite que sou obrigada à satisfazer o prazer de homens imundos, que eu sou chamada de "vadia", "vagabunda", "puta", e entre mil coisas horríveis. E se todos esses que me chamam assim soubessem minha história, estariam dizendo isso? Se todos soubessem que meu pai abandonou eu e minha mãe, por causa de uma mulher interesseira, quando eu era um bebê? Se todos soubessem que minha mãe morreu quando eu tinha 16 anos, com um câncer, me deixando assim, só no mundo? Se todos soubessem que isso foi a minha única escolha? Meu nome é Melanie, tenho 19 anos, e como deve ter visto no questionamento sou uma prostituta. Tudo isso aconteceu depois da morte da minha mãe, como falei, fui obrigada à exercer essa profissão. Minha tia é dona de uma boate, um cabaré eu diria assim. Você não tem noção de como é horrível ser olhada pela sociedade, com cara de nojo. De não poder ser livre, de me envolver com alguém, me apaixonar. Eu só quero me livrar disso, há 3 anos meus dias e noites são um verdadeiro filme de terror.
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#9
paulo
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"Eu sou só mais uma adolescente tentando sobreviver." Estudo de manhã, trabalho meio período numa lanchonete da esquina à tarde e passo o resto do tempo tentando não surtar. Moro com a minha mãe, mas a gente quase nunca se entende. Parece que tudo que eu faço está errado pra ela. E, sinceramente? Eu cansei de tentar agradar. O meu pai? Nem sei por onde anda. Acho que ele nunca fez questão, e eu aprendi a não fazer também. O que me mantém de pé, o que faz meu coração bater com alguma esperança, é um sonho. Um sonho que eu carrego desde pequena: ser modelo. Eu sei que parece clichê. Todo mundo acha que é só posar pra câmera, fazer carão, desfilar com roupas caras. Mas pra mim... é mais que isso. É liberdade. É poder. É sair daqui. É ser vista. Ainda não aconteceu, claro. Mas eu tô tentando. Envio fotos, participo de seletivas, posto no Instagram como se fosse famosa. E às vezes... só às vezes... eu fecho os olhos e me imagino lá, em Paris, Nova York, Milão. Porque sonhar ainda é de graça. Pelo menos por enquanto. O problema é que ninguém conta o que você precisa perder pra chegar lá. E eu perdi mais do que devia.

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