No limiar entre o céu e a terra, a luz e as sombras, sob a dor de uma mulher temente aos céus, de seu ventre rasgado nasceu o Véu - a barreira entre o mundo e o submundo. O milagre dos céus e a ruína das sombras. Seus olhos, ao se abrirem pela primeira vez, brilharam como a lua azul crescente no céu, e os de sua mãe se fecharam silenciosamente, em uma última prece aos deuses. Mas, longe dali, nas profundezas do Izanami - entre o abismo dos impuros e o lamento das injustiças -, o rei, em seu trono conquistado a sangue e lágrimas de cultivadores infiéis, sorria pequeno, com os olhos brilhando da mesma cor que o Véu entre os mundos. Não pela dor. Não pelas lágrimas derramadas a sangue. Mas pelo singelo brilho azul de um trovão que ecoou nas nuvens negras, refletindo a lua no céu puro, simbolizando a pureza do Véu. O nascimento de uma criança e o último suspiro de uma mãe formaram a aliança entre os três mundos, que ele sabia que nunca seria quebrada. Não por poder ou medo. Mas por amor.
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