Eu não gosto de coincidência.
Coincidência é o nome bonito que a gente dá quando ainda não teve coragem de chamar de padrão.
E padrões não surgem do nada.
Desde ontem, tudo começou a se repetir de um jeito estranho demais pra ser ignorado. Pessoas que não deveriam se cruzar acabam no mesmo lugar. Frases que eu juro já ter ouvido voltam em bocas diferentes. E o pior: sempre com a mesma sensação de que alguém já sabia o que ia acontecer antes de acontecer.
No começo, eu tentei convencer a mim mesmo de que era só cansaço. Falta de sono. Paranoia.
Mas agora não é mais isso.
Agora é percepção.
E percepção, uma vez que nasce, não volta a dormir.
Tem algo observando os intervalos entre os acontecimentos. Algo que não aparece quando você olha direto, só quando você pisca.
E eu percebi tarde demais:
não é coincidência.
É continuidade.
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