A cafeteria Giardino Segreto nunca foi a mais badalada da cidade - e nem queria ser.
Escondida em algum canto discreto de Shinjuku, quase apagada entre prédios comerciais e luzes excessivas, era o tipo de lugar fácil de ignorar caso você não soubesse exatamente o que estava procurando. Pequena, simples e silenciosa, não chamava atenção de quase ninguém. Ainda assim, quem entrava costumava voltar.
Talvez fosse o ambiente aconchegante, sempre calmo, como se o tempo passasse mais devagar ali dentro. Talvez fosse o cheiro constante de café fresco ou a música baixa preenchendo o silêncio. Ou talvez fossem os boatos.
Diziam que havia algo estranho no café da Giardino Segreto. Algo quase mágico. Que bastava uma xícara para ser tomado por sensações difíceis de explicar, como se, por alguns minutos, todos os problemas do lado de fora deixassem de existir.
Claro, não era verdade.
O café não era mágico.
Só era muito bom.
Kakuzu, um empresário bilionário dono de empresas demais para sequer contar, era um dos clientes regulares da cafeteria. O lugar era silencioso, discreto e servia café italiano de verdade - algo difícil de encontrar e ainda mais difícil de fazer direito. Sendo italiano, aquilo bastava como desculpa para continuar voltando.
Ou pelo menos era isso que ele dizia a si mesmo.
Depois de dias longos de trabalho, reuniões intermináveis e dores de cabeça constantes, a Giardino Segreto era um dos poucos lugares onde conseguia descansar sem ser incomodado.
Bom.
Sem ser muito incomodado.
Porque havia Hidan.
O barista.
Jovem, inconveniente e absurdamente petulante, na opinião de Kakuzu. Falava demais, se intrometia quando não devia e tinha um talento irritante para aparecer justamente quando ele queria silêncio.
Mas também era um bom ouvinte.
E, por algum motivo, Kakuzu gostava de conversar com ele.
Gostava da Giardino Segreto, também.
A cafeteria era, como o próprio nome prometia, seu pequeno jardim secreto.
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