Baratas Sobrevivem (e eu também)

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A Court Of Thorns And Roses
Duas almas atravessam o véu entre os vivos e os mortos no mesmo minuto, segundo e hora. Do mesmo dia, mês e ano. Sob a luz de uma lua de sangue. Uma delas segue o seu caminho e encontra a eternidade. A outra, com sede de sabedoria mesmo na morte, observa sua contraparte atravessar, mas ela não segue o mesmo caminho. Em vez disso, a alma curiosa, se aproxima do local de onde a outra veio, ela não vê muito, está turvo, como se estivesse debaixo d'água. A alma estende a mão, ela não consegue puxar de volta. Se ainda tivesse um corpo físico ela estaria franzindo as sobrancelhas enquanto faz força para soltar a mão de sua prisão invisível. A alma desiste. Ela se aproxima mais e passa uma perna, depois outra e então a cabeça. Derrepente, a alma esta sendo puxada, ela não sabe oque é aquilo ou como parar. Então ela flutua e flutua enquanto é arrastada pelo nada. E então tudo para. Ela sente dor, seu corpo todo protesta. Seu estômago geme de fome e ela não consegue respirar. Dois olhos cinzentos se abrem para a escuridão, apenas uma luz avermelhada iluminando o lugar, ela grita.
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Nascida do sangue de sacrifícios, forjada no pecado da ira, ela ergueu-se das cinzas do inferno para desafiar a divindade dos céus - onde anjos e deuses aplaudem o entretenimento, enquanto demônios e almas sem rótulo sangram por espetáculo. Mas o que não foi destruído... aprendeu a devorar. Criada entre igrejas que exalam hipocrisia e mansões que escondem cadáveres sob o mármore, ela é filha de um mafioso que nunca a reconheceu - e de um padre que pregava o inferno enquanto abusava da fé. Ela não pertence ao céu nem ao crime. É um erro que respira entre mundos que tentam silenciá-la. Entre bailes mascarados e arenas subterrâneas onde a elite bebe o sangue dos pobres como vinho raro - foi onde ela foi nomeada como maldição. Enquanto os abastados vestem ternos manchados de inocência e assistem crianças morrerem como parte de um espetáculo financiado por aplausos, ela jurou vingança. Uma vingança. E ela queima. Dizem que o universo liga almas gêmeas por fios vermelhos invisíveis. Mas o dela foi cortado à força - e amarrado ao coração do próprio Diabo. Um coração que pulsa no peito dela como maldição viva. E o dele? Ele carrega o coração dela... rasgado, dilacerado, ainda sangrando dentro do corpo morto que se recusa a apodrecer. E no meio do caos, há ele. Olhos de abismo, alma de veneno - um rei criado para destruí-la. Mas ele a deseja como se o inferno fosse pouco. Entre eles, nasce um amor doentio, ardente, feito de promessas quebradas e beijos que sangram. Não há salvação. Só obsessão. Fome. Ruína. Ele é a lâmina que corta em silêncio, o próprio diabo em forma de tentação. Mas ela... ela é o veneno que mata devagar - mais letal que o desejo, mais antiga que o pecado. Ela é Lilith. Ela não quer tronos - quer ruínas. É o nome gravado nas cinzas de um mundo que ela mesma queimou. É a queda de dois demônios que preferiram o abismo à salvação. Juntos, incendiaram o mundo - e chamaram isso de amor.

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