Advogado do Diabo - Olavo Andrade

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WpMetadataNoticeLast published Thu, Aug 1, 2024
Eu não tinha muitas qualidades, acho que na minha lista mental, eu só tinha umas 3. Uma delas era ser o melhor advogado do Brasil, segunda ser bom de lábia, terceira é ser bom de cama. Que foi? Você que resolveu vir aqui pra me ouvir contar a história de como foi que eu morri. Pois é, eu tô morto sabia? Brás Cubas teria inveja do que o papai veio fazer no inferno, até peguei autógrafo com algumas pessoas. Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas. Cômico se não fosse trágico. Eu acho que eu tinha 33 anos, ou 32 anos, gostoso, bonito, boa pinta, até que tudo saiu do meu controle, tudo começou com um contrato nada convencional e uma cadela trambiqueira que ferrou o meu esquema! Homem fica bobo por causa de uma bucetinha né? Errei, eu sei, fui imprudente pra não dizer moleque, porque eu sou um homem com H maiúsculo e musculoso. Deus o que eu fiz de errado nessa vida pra merecer tanto desgosto? Tá, talvez eu tenha matado algumas pessoas, mas isso não é nada. São só detalhes bobos, as vezes a gente precisa cortar a maçã pra poder morder ela. Quem nunca matou pra comer o pão? Amassou o bife pra poder temperar depois? Todo mundo tem que ir pra luta né. Já que você tá aqui pra me ouvir, então você vai sentar aí e me ouvir, porque eu tenho muita coisa pra contar. Talvez um livro, sei lá. Nunca fui especialista em criar conteúdo, só em fazer as pessoas assinarem contratos de morte. Mas você ia me entender quando se mete com políticos e trambicagem de Brasília, você precisa se proteger, eu sou um homem que anda o tempo todo com um alvo na cabeça, Ou mato, ou morro...pera, eu morri! Acho melhor a gente se sentar, tomar um chá, quer um biscoito? Porque cara vai demorar, a história é longa pra caralho. Me chame como quiser, Diabo, Pilantra, cachorro, mas não esqueça do meu nome, cachorra. Olavo Andrade sempre será o seu pior pesadelo e o seu maior desejo.
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wagnermoura
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Tudo começa com o primeiro disparo. O sangue corre frio em suas veias, o suor escorre pelas suas têmporas e até a pessoa menos religiosa se pega rezando para que tenha sido da própria arma. Marginais, traficantes, assassinos, crimes todos os dias. Essa era a adrenalina inesgotável de meter o pé onde nem a polícia convencional conseguia chegar. Para aqueles que não se acovardam diante da frágil linha tênue entre a vida e a morte, bem-vindos ao Batalhão de Operações Policiais Especiais, mais conhecido como BOPE, onde todos têm seus lugares reservados no inferno. Eu bem sabia a complexidade desse caminho e que seguir por ele não me daria escolha a não ser ir até o fim. Eu não era do tipo de pessoa que "pedia 'pra sair", e quando decidi vestir a farda preta, minha escolha morreu também. Apesar das dificuldades, eu não me arrependia. Quando o sistema te decepciona, você cria uma desconfiança que jamais desaparece, e é só questão de tempo até que se canse dele. Eu carregava uma desilusão tão profunda sobre os princípios que valorizei durante toda a minha carreira, que não vi outra opção a não ser correr em direção ao perigo. Porque ou você faz parte da solução, ou você faz parte do problema, e eu já não aguentava mais esperar. Pensei que fazer justiça com minhas próprias mãos traria de volta o meu espírito, mas quem dera fosse tão fácil. As coisas costumam seguir rumos muito difusos, e por ironia do destino, senti-me viva por alguém que carregava uma caveira no peito. Missões dadas, eram missões cumpridas, mas eu estava travando uma batalha diferente. E aquela guerra de corações poderia ser a minha ruína. Ou a minha salvação.

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