Eu o observo, com um gosto agridoce no fundo da garganta, enquanto seus olhos negros e penetrantes encontram os meus, fazendo meu estômago se retorcer de um jeito torturante e familiar.
Sustento seu olhar até que a minha pele queime, até que eu sinta uma pontada deliciosa e já bem conhecida de desejo entre as costelas, até que suas pupilas dilatem e pareçam mergulhar fundo em mim. Não consigo mais aguentar e, como sempre, sou a primeira a desviar o olhar.
Por força do hábito ou pelos poucos e perigosos centímetros que nos separam, meu olhar esquadrinha suas feições e repousa na sua boca, permanecendo ali por tempo demais.
Tempo suficiente para que eu não possa impedir o calor no meu ventre, tempo o bastante para que ele perceba e um canto de seus lábios se erga.
- Você disfarça muito mal, sabia? - sua voz soa mais rouca do que de costume, ou talvez seja o arrepio que aquele sussurro me causa, sua respiração suave contra o meu rosto se misturando ao calor da raiva que arde nas minhas bochechas.
É impressionante a habilidade que esse idiota tem de me fazer querer beijá-lo e, logo em seguida, matá-lo, de preferência lenta e dolorosamente.
" Mas só ela consegue , mexer com minha mente, dominar minha boca e o meu subconsciente. Ela é a melhor dose e eu sou dependente a gente atira junto , revólver e bala no pente. "
Bruna tinha apenas 17 anos quando sua mãe a mandou embora de casa grávida e sem condições alguma para se manter. Graças ao seu irmão, conseguiu um lar humilde mas bem longe de casa e lá foi muito feliz por alguns anos. Sete anos depois após receber uma ligação, ela decide voltar para sua casa junto de seu filho Henrique. O que Bruna não esperava era que mesmo antes de partir, sua mãe destruiu a sua vida da pior forma possível.