Zarina não deveria existir. Filha de uma humana oradora e de um vampiro ancestral, ela nasceu quebrando leis da natureza que todos julgavam absolutas. Os vampiros são estéreis, amaldiçoados a consumir a vida, não a gerá-la. E ainda assim, ali estava ela: viva, respirando, com olhos que carregavam o brilho da lua e a sombra do sangue imortal. Nenhuma lenda previa isso. Nenhuma ciência explicou. Nenhum deus admitiu responsabilidade. Quando sua aldeia tentou matá-la - temendo o que chamavam de "filha da blasfêmia" - foi Drácula quem a encontrou. Em um gesto inesperado, ele não a destruiu. Ele a salvou. Talvez por piedade. Talvez por amor à humanidade que ainda vivia em Lisa. Ou, talvez, por enxergar nela um eco de seu próprio filho. Zarina foi criada no coração do castelo de Drácula, ao lado de Adrian - Alucard. Dois milagres, dois erros cósmicos, unidos por laços que iam além do sangue. Eles cresceram como irmãos, amigos, confidentes. Enquanto Alucard estudava filosofia e esgrima, Zarina dominava os cânticos oradores e os segredos das palavras que moldam o mundo. Juntos, eles sonhavam com um futuro onde monstros e homens pudessem coexistir. Mas então, o mundo virou cinzas. Com a execução brutal de Lisa, a fúria de Drácula tornou-se imparável. Zarina viu o pai que conhecia transformar-se em um deus vingativo. Alucard tentou contê-lo. Ela tentou entender. No fim, nem a espada dele, nem a voz dela foram o bastante para impedir a tragédia. Desde então, Zarina desapareceu dos registros. Os que ainda se lembram dela - e são poucos - não sabem se era anjo, demônio ou algo entre os dois. Apenas Alucard sabe quem ela foi. O que ela significou. E talvez, um dia, o mundo volte a ouvir sua voz. Uma voz feita de magia, dor, e uma verdade que ninguém jamais quis encarar: Nem todos os milagres são bênçãos. E nem todos os monstros nascem para destruir.
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