O RIO DO TEMPO

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WpMetadataNoticeDernière publication ven., oct. 4, 2024
A lua cheia iluminava os corredores do castelo, seus raios prateados invadindo as passagens escuras e revelando formas antigas que pareciam se mover nas sombras. Beren avançava com passos cautelosos, os olhos atentos ao redor. A inquietação aumentava a cada curva que tomava, mas algo o impelia adiante. Já fazia horas que ele havia entrado, sob o pretexto de uma breve exploração. Seus companheiros provavelmente estavam preocupados, mas ele sentia que havia algo ali. Foi quando ele parou, os olhos fixos no pátio aberto à sua frente. No centro, cercada pela névoa suave da noite, uma estátua. Não era como as outras. Ela parecia viva. A escultura era de um homem jovem, de beleza angelical, com uma expressão de fúria gravada em suas feições. O gelo que cobria a estátua reluzia sob a luz da lua, mas, ao se aproximar, Beren sentiu algo - um calor vindo daquela figura. Ele se agachou, os olhos percorrendo as rachaduras que corriam do chão até o rosto da estátua, como cicatrizes antigas prestes a se abrir. Os olhos da estátua brilhavam com uma ira contida. Beren estendeu a mão, hesitante, os dedos quase tocando a superfície cristalina. O calor aumentou. Ele podia sentir a energia pulsando. Por um instante, seus olhos encontraram os da estátua... e ele jurou que ela piscou.
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Há coisas que não morrem. Elas adormecem. Nas entranhas do mundo, sob camadas de pedra esquecida e véus de eras não registradas, algo respira. Silencioso. Paciente. Feroz. O mal não ruge como um trovão. Ele sussurra, lentamente... até que todos estejam de joelhos. Enquanto o mundo se reconstrói sobre os escombros de batalhas antigas, e os sobreviventes tentam apagar os nomes que um dia temeram, ele espera. Como uma ferida oculta sob a pele da realidade. Mas agora, o tempo se dobra. O céu, esse velho guardião de segredos, anuncia um presságio. Um evento único, um fenômeno astronômico que ocorre uma vez a cada milênios: A Lua Vermelha. Na noite em que a lua sangrar, os selos antigos perderão sua força. As correntes sagradas se partirão como galhos secos. E eles - o inimigos primordiɑis, os arauto da ruína, o que uma vez foi enterrado sob o nome do silêncio - erguerá seu exército. O mundo já caiu uma vez. E desta vez, talvez... não haja luz suficiente para salvá-lo. Pois nem todos os dragões estão do lado dos vivos. Nem todos os heróis retornaram ilesos. E nem todo sacrifício... foi suficiente.

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