O amor pelo futebol começou cedo para Carol. Não nas arquibancadas, nem na televisão. Começou no quintal da casa da avó, onde ela e seus primos improvisavam gols com chinelos e chutavam bolas velhas até o pôr do sol. Ali, entre risadas e joelhos ralados, Carol aprendeu que o futebol era mais do que um jogo: era emoção pura, era história viva. Enquanto crescia, seu sonho tomava forma. Não queria apenas assistir; queria contar. Narrar histórias de quem fazia a magia acontecer em campo, mostrar o que existia por trás de cada lance, de cada vitória, de cada derrota. Mas o caminho não seria fácil. O jornalismo esportivo ainda era, em muitos lugares, um território hostil para mulheres. Carol sabia disso. Ouviu os comentários, sentiu os olhares de desconfiança. Trabalhou dobrado para ser respeitada - estudando, estagiando, errando e recomeçando. Agora, ali, prestes a fazer sua primeira cobertura de um grande clássico, sentia o peso de tudo o que lutou para conquistar. Ela só não sabia que, além do futebol, aquela tarde lhe reservaria algo mais. Algo que nenhum treinamento, nenhuma preparação poderia antecipar: um encontro inesperado que mudaria sua história - dentro e fora dos campos.
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