Hedos
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WpMetadataReadComplete Wed, Jan 8, 2025
"Não há nada mais humano do que a incerteza." Em um futuro próximo, os maiores bilionários e líderes mundiais abandonam uma Terra devastada a bordo da Inasis, um colossal cruzeiro espacial que navega eternamente pelo cosmos. Séculos depois, seus descendentes se tornam uma massa hedonista, vivendo numa nave decadente e negligenciada. Eles se injetam com substâncias que os mantêm jovens e belos, consomem conteúdo criado por inteligência artificial e deixam a embarcação sob o cuidado de robôs. "Hedos", era como os autômatos os chamavam. Em meio a esse cenário absurdo, um par de robôs músicos, fascinados pela arte dos antepassados, decide mudar o curso da nave de volta à Terra com o objetivo de formar uma banda de rock. No entanto, a ideia não é bem recebida pelos humanos. Hedos explora a dificuldade de preservar a humanidade e o espírito artístico em um mundo cada vez mais automatizado e mecânico. Quem, afinal, é o verdadeiro inimigo da arte? A inteligência artificial em si ou os hedonistas bilionários que a perpetuam?
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O ano é 2081, quatorze anos após o início da Grande Decadência - uma era de colapso silencioso, desencadeada por um vírus que atingiu 90% da população com implantes neurais de aprimoramento. Chamado de Voz de Babel, o vírus não destruía corpos, mas realidades. Ele embaralhou as fronteiras entre memória e ficção, fundindo mentes humanas com dados digitais, personagens fictícios e traumas armazenados nas redes. Muitos enlouqueceram. Outros simplesmente desapareceram - suas consciências, agora fragmentadas, vagam como ecos digitais, os Ghosts: entidades presas nas redes locais, gritando, interferindo, tentando se comunicar. Às vezes em sussurros. Às vezes em puro desespero. Sem internet global, cada cidade se fechou em sua própria rede isolada, cercada por firewalls e medo. Mas nem isso é suficiente. Presenças estranhas se manifestam em sistemas, elevadores que tocam músicas esquecidas, vozes de mortos que ressurgem nos canais da TV. Lá fora, o planeta apodrece. Tempestades de poluição cobrem o céu por semanas, bloqueando o sol. Chove ácido. O concreto derrete. A humanidade sobrevive em estruturas blindadas, como ratos fugindo da própria criação. Enquanto as corporações disputam o controle com governos falidos, uma promessa ecoa nos telões da cidade: "RECOMECE EM TERRAS MAIS PURAS." Mas todos sabem: ninguém volta dessas terras.

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