Hermann Kraus carrega o peso de um legado poderoso, sustentando-o através do seu inclemente domínio sobre cada aspecto da sua vida. Seus passos são movidos pela frieza do seu coração, e qualquer sinal de fraqueza é destruído por ele por meio do controle austero que detém sobre si mesmo. Suas responsabilidades são, portanto, encaradas com absoluta racionalidade, não permitindo que brechas sejam abertas para que o véu da ignorância possa recobrir os seus olhos e impedi-lo de enxergar a direção do seu dever.
No entanto, todas as suas implacáveis certezas rendem-se aos sentimentos despertados em seu peito em meio à solidão ordinária de quarto um bordel, no qual sua mente perturbada buscava o alívio de uma companhia vazia. Inesperadamente, naquele lugar tão promíscuo, suas mãos encontraram a beleza de um paraíso intocado, cujas lágrimas de medo umedeceram os seus lábios em um beijo inesquecível e o prazer do seu corpo se derramou em seus dedos, marcando-os para sempre.
Desde então, ela tornou-se a sua obsessão, sua loucura e a sua musa.
Valeriye Auler, a garota que esteve em seus braços naquela noite, é para ele apenas um rosto sem identidade, sendo alvo da sua insana e incansável busca para tê-la em suas mãos outra vez, dispondo-se a tudo para isso. Contudo, o que ele não imaginava é que, sob circunstâncias completamente inesperadas, iria encontrá-la junto a Erik Volkmer, o soldado delinquente que comanda a associação criminosa oponente dos seus negócios, estando há anos sob a sua mira.
A fúria impiedosa por vê-la ao lado de um inimigo irá fazer com que Hermann passe por cima de tudo que for necessário para tomá-la dele, fazendo a jovem Valeriye refém do seu poder ao aprisioná-la entre as paredes de um lugar onde juntos eles descobrirão que o desejo, a culpa e a luxúria podem transformar o preto e branco das suas almas em cores vívidas de uma paixão sombria.
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