Era noite, e a tempestade que rugia lá fora parecia refletir o caos dentro de mim. No silêncio do quarto, onde apenas o som insistente da chuva preenchia o vazio, eu encarava o teto como se pudesse encontrar nele as respostas que me faltavam. Minha mente era um campo de batalha; de um lado, a lógica cruel e implacável, clamando por liberdade, por fim ao sofrimento. Do outro, o coração, teimoso e cheio de esperança, sussurrava que ainda havia algo pelo que lutar.
Era um pênalti cruel, com o destino aguardando, imóvel, no centro do gol da minha vida. A bola estava nos meus pés, mas eu hesitava, incapaz de escolher entre o chute seco da razão ou a curva imprevisível do amor. Era tão simples e, ao mesmo tempo, tão impossível.
Os anos que compartilhei com ele dançavam na minha mente como um filme antigo. Risos, promessas, momentos que um dia pareciam eternos. Mas, como uma chama queimada pelo vento, tudo se tornara dúvida. Eu deveria continuar esperando por alguém que parecia estar se afastando cada vez mais? Ou deveria simplesmente abrir a porta, deixá-lo ir e me libertar?
O amor, mesmo ferido, gritava mais alto, como se implorasse para ser ouvido. Mas a raiva, ácida e amarga, sussurrava que eu já havia sofrido demais. Eu sentia os estilhaços de uma guerra emocional onde não havia vencedores. Cada minuto era uma tortura, uma dança entre o desejo de desistir e a incapacidade de abandonar.
E agora? O que vem depois? Agir pela razão ou ouvir o coração? Decidir significaria rasgar uma parte de mim, deixar algo para trás. Mas será que, em meio a essa tormenta, eu teria coragem de escolher? Ou continuaria para sempre preso nessa eterna disputa entre o que eu quero e o que eu preciso?
O relógio marcava o tempo, mas dentro de mim, tudo estava congelado. A única certeza era que, ao fim dessa partida, nada seria como antes.
All Rights Reserved