'' Carne de minha carne, sangue de meu sangue, pele de minha pele, selvageria de minha selvageria. Venha até mim, me consuma, consuma meus ossos, carne, sangue, pele e ser, seja apenas minha. Filosofe sobre a vida comigo, filosofe sobre a minha vida, me desvenda, me leia, me ame com todo o seu ser. Sejámos iguais, sejámos apenas uma. '' - Texto autoral
Desejo indomável? Na prática, o'que de fato seria isso?
Cada ser pode ter sua única definição, para lobos pode ser apenas o mais puro instinto de sobrevivência, para nós pode ser paixão ardente, aquela que consome e faz nos secar a garganta, sentir calor, querer o estigma social de ser aceito por uma pessoa para poder nos chamar de nossa.
O que se faz mais curioso é que mesmo entre seres semelhantes a definição do termo pode se diferir; esse desejo é diferente para cada um de nós. Para a protagonista dessa história, sua paixão que muda de acordo com o tempo e contexto é sentir e expressar.
Escrevia não com as mãos, mas com a alma. Por mais que já estivesse com quase três decádas de existência, não fazia nada a ser considerado como de extrema importância, não estudava e nem trabalhava, não se importava de fato com tudo isso. Sua renda de fato advinha de um trabalho cosniderado tão sujo e nada poético; Trabalhava como zeladora em um motel de beira de estrada, limpando a sujeira dos outros e se perguntando como amavam se amar de fato?
Ganhava pouco dinheiro, suficiente para uma revista ou duas, vendendo textos. A sua paixão de fato era essa, almejava sentir e se expressar por meio do papel e da caneta.
Constratante, a que seria vista apenas como figurante se torna protagonista nessa história. A outra figura que se fará aqui presente sempre de fato teve tudo, mas, renegada, foi obrigada a largar de mão desse tudo para viver e ter a sua ''liberdade''. Enganada com falsas promessas se perdeu, e vive miseravelmente de rua em rua, esperando um trocado em troca de seu cobiçado
Aurora nunca soube o que era liberdade. Abandonada quando bebê, cresceu num orfanato onde apanhava mais do que comia, onde palavras de afeto não existiam. Aos dezessete anos, quando pensava que logo poderia fugir, foi vendida como mercadoria.
Trancada, espancada e deixada à beira da morte, ela perdeu algo que nunca teve chance de escolher: a esperança de ter filhos, de ter uma vida normal, de ser... inteira.
Mas o destino ainda não tinha terminado com ela.
Sevian é um homem moldado pela dor. Com o passado cravado em cicatrizes e a alma afundada em sombras, ele se esconde do mundo em uma mansão isolada.
Rico, recluso e amargo, ele havia jurado nunca mais cuidar de ninguém. Até que encontra Aurora no chão, ensanguentada, silenciosa, com os olhos de quem já desistiu.
Ele a leva para dentro.
Ela não fala.
Ele não pergunta.
Mas o silêncio deles começa a conversar.
Nasce entre os dois uma ligação frágil, dolorosa, lenta - como quem aprende a respirar de novo. Ele oferece abrigo. Ela oferece um reflexo que ele não queria encarar.
E quando os traumas começarem a se desfazer, virá algo mais forte que o medo: o desejo.
Mas o passado não fica quieto por muito tempo. E o amor, quando nasce entre ruínas, pode ser tão perigoso quanto salvador.