Ela habita um corpo que não reconhece, em um mundo que não a acolhe. A vida, outrora promessa, tornou-se cárcere. Cada dia que amanhece é um fardo, cada reflexo no espelho, um golpe mudo. A esperança, essa ilusão frágil e inocente, desfez-se há tempos, deixando apenas o peso do existir
Ela não deseja estar aqui. Não há pertencimento, não há alívio. A felicidade parece um luxo distante, condicionado a impossibilidades: outro rosto, outra história, outro começo. Mas tudo o que anseia escapa entre seus dedos como areia ao vento. A realidade é inflexível, e a vontade de partir se enraíza fundo, sutil, lenta, implacável
Ainda assim, falta-lhe a coragem para o fim. Resta apenas o abismo entre querer desaparecer e permanecer à deriva. Um corpo que respira, um coração que pulsa, mas uma alma exilada no silêncio, prisioneira de si mesma, fadada a esperar por um amanhecer que jamais trará redenção.
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