O Vermecer da Alma

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WpMetadataNoticeLast published Fri, Mar 21, 2025
Um quarto apodrecido, pulsando como um órgão moribundo, é o ventre onde nasce e morre a consciência de um homem à deriva. Cercado por restos de si mesmo - garrafas vazias, livros em decomposição, versos mutilados - ele escreve com dedos sujos de tinta e sangue, tentando exorcizar a podridão que cresce dentro e fora do corpo. Cada objeto é um presságio, cada rachadura no espelho um fragmento da alma estilhaçada. Quando a luz cinzenta do amanhecer rasteja pelas frestas, não traz redenção, apenas revela o epitáfio que ele mesmo rabiscou no caderno encharcado: a confissão final de quem se tornou o próprio túmulo.
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angústia
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Nesta fantasia gótica de melancolia e reflexos partidos, habita um ser de dois nomes e uma só alma estilhaçada. A tristeza, profunda e invisível, esconde-se como poeira em veludo preto. A alegria, tênue, flutua como um perfume antigo em cômodos vazios. Obse é um gato - ou parece. De olhos tão expressivos que ferem mais do que qualquer palavra dita, carrega em si os vestígios de uma mulher chamada Calista. No mundo dos espelhos, Calista vive; ou sobrevive - fria, séria, silenciosa, com olhos que engolem tudo que olham. No mundo real, é apenas um animal pequeno, de cauda encurtada, mas de sentimentos que explodem em silêncios. Obs.: Que teus olhos sangrem, se ousares devorar esta merda.

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