Não sei ser olhado, admito. Os olhos empáticos eu sinto asco, dos curiosos eu me desvio, e os que me importam são os tortos: como um entendimento mútuo de que esses são os únicos que me veem de verdade. Como se eles estivessem me dizendo: estou te vendo como tu és. E assim me sinto nu, enxergado, compreendido. E então, me entrego, como entregaria a adaga na mão de um assassino sem morais e o diria para acertar-me, sem dizer em que direção.
eu-lírico | poesia.
calisto, 2025.
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