Como você me vê?

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WpMetadataNoticeÚltima atualização dom, mar 30, 2025
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Ficção
Romance
Mesmo com toda a elegância de um gato preto, ainda dizem que cruzar com ele é azar. Que azar o meu, gatinho: sou como você. No fatídico dia 13 de dezembro, nos encontramos na festa de sexta-feira. Eu, elegante e bela, com jaqueta de couro e coturnos; ele, sem graça, com calça cáqui e blusa branca. Tudo dentro dos conformes, até o momento em que ele me pergunta: "Por que você não usa vestido rosa?". Foi então que tudo começou a dar errado.
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O futuro me encontrou, como um gato faminto, espreitando nos cantos da minha mente. Ainda sou Clara, mas a Clara que me tornei é um enigma, até para mim mesma. O tempo, esse pintor imprevisível, borrou as linhas da minha história, deixando um rastro de cores desbotadas e pinceladas hesitantes. As pessoas me veem, claro, mas não me enxergam. A Clara que elas conhecem é uma sombra, um fantasma que dança na periferia da sua percepção. "Clara, você está bem?", eles perguntam, com um sorriso gentil que não chega aos seus olhos. "Sim", respondo, e as palavras saem como um sussurro, perdidas no eco da minha própria confusão. A verdade é que nunca fui clara. As palavras se enroscam na minha garganta, formando nós que me impedem de falar. A comunicação, essa dança tão natural para os outros, é para mim um labirinto sem saída. Meus pensamentos, como um rio subterrâneo, correm em silêncio, escondidos sob a superfície da minha pele. Mas, talvez, essa seja a minha força. A Clara que não se define, que se perde nas nuances do silêncio, é também a Clara que observa, que sente, que absorve o mundo em sua quietude. Sou um observador silencioso, um colecionador de momentos, um guardião de segredos. O futuro, com suas promessas e incertezas, me espera. E eu, Clara, a que nunca foi clara, me preparo para enfrentá-lo. Talvez, em meio à névoa da minha própria história, eu finalmente encontre a clareza que sempre busquei. Ou talvez, a minha verdade esteja na própria neblina, na beleza do incompleto, na dança silenciosa do meu ser.

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