Onde o silêncio mora

Onde o silêncio mora

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WpMetadataReadComplete Fri, Apr 11, 2025
Ela sempre amou o som do mar, mesmo quando ele gritava. Maya cresceu em uma vila esquecida no norte da Escócia, onde os ventos contavam segredos e as gaivotas pareciam chorar em vez de cantar. Seu único consolo era Liam - o garoto de olhos cinzentos que apareceu uma manhã de neblina, descalço, como se tivesse saído do mar. Ninguém sabia de onde ele veio, e ele também não dizia. Eles cresceram juntos, construindo mundos imaginários em velhos barcos abandonados, escrevendo cartas que enterravam sob as pedras. Ele era seu "Anchor", a âncora que a mantinha firme enquanto o mundo ao redor se despedaçava. Mas Liam também carregava dores que Maya não sabia nomear. Às vezes, ele sumia por dias. Voltava com olhos distantes, como se o mar tivesse levado parte dele. Quando Maya completou dezoito anos, ela recebeu uma bolsa para estudar fora. Liam não foi ao seu embarque. Só deixou uma carta, com uma única frase: "I can't carry you anymore, even though I want to." O tempo passou. A cidade grande foi dura, mas Maya aprendeu a sobreviver. Construiu uma vida. Amou outras pessoas. Mas em noites de tempestade, ainda ouvia o mar chamando. Anos depois, ela voltou à vila. Encontrou o barco deles, coberto de musgo, mas ainda lá. Dentro, uma nova carta, envelhecida, com a caligrafia de Liam: "If I am the birthplace of your silence, I hope one day you sing again." Maya chorou - mas pela primeira vez, não doeu tanto. No horizonte, o mar dançava. E, por fim, ela cantou.
(CC) Attrib. NonComm. NoDerivs
#43
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