O espelho que comeu o céu

O espelho que comeu o céu

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WpMetadataNoticeLast published Sun, Apr 20, 2025
Lira nasceu de um silêncio tão denso que fazia eco. Filha de uma mulher de vidro e de um homem de pedra, foi prometida a um estranho antes de saber pronunciar o próprio nome. Aos dez anos, ensinaram-lhe a bordar véus e esquecer o som da própria voz. Mas Lira vê o que ninguém mais vê. Vê palavras dançando nos cantos dos livros roubados. Vê rostos pintados nas peças de rua sorrindo como se a chamassem. Vê, dentro de si, um céu que não cabe em molduras. Então o espelho apareceu. Ou talvez sempre estivesse ali. Um espelho que não reflete - engole. Engole rostos, engole horas, engole o próprio céu. Enquanto o mundo a arrasta para o altar, Lira escapa por dentro: escapa em sonhos, em tintas, em gritos que ninguém ouve. Ela não quer ser noiva, nem santa, nem lembrança. Ela quer ser outra coisa. Talvez se chame magia. Ou talvez seja apenas o nome que o céu gritou antes de sumi
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#178
misticismo
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Prólogo - Ecos entre Almas Nascido de um luto Há histórias que nascem antes de começarem. A nossa foi assim - um sussurro entre olhares, um laço que se entrelaçou devagar, desde o primeiro dia em que os teus olhos encontraram os meus naquela sala de aula. Crescemos lado a lado, como se o universo soubesse o que nós ainda não sabíamos: que éramos um do outro, mesmo sem o dizermos. Fomos tudo e fomos nada. Fomos risos, cumplicidade, toques que não ousavam prolongar-se, até aquele último instante, o único em que nos pertencemos de verdade. Quando já não havia tempo, mas ainda havia alma. E nessa entrega, nasceu um amor maior que nós - nasceu vida. A tua, a minha, fundidas numa nova. Tu partiste. Eu fiquei. E vivi com esse silêncio dentro de mim. Com as palavras que não disseste, com o abraço que não se repetiu, com os "para sempre" que ficaram por prometer. Mas o teu rasto nunca se apagou. Nem em mim, nem no filho que deixaste - a tua parte viva neste mundo. Foi ele quem me levou até aqui. Ao projeto Ecos. A única forma de te reencontrar, mesmo que fosse só por instantes. E agora... Agora estou de novo a caminho de ti, amore mio. Porque o amor verdadeiro não morre. Ecoa.

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