
O tempo estava contra eles. E Lorenzo sabia que, se não agisse rápido, a gangue deixaria para trás muito mais do que apenas policiais mortos. Antes que o cavalo desse mais um passo, um tiro ensurdecedor ecoou pela floresta, vindo da esquerda. O impacto da bala atravessou o meio de seu chapéu, arrancando-o da cabeça. O susto, o estrondo do disparo e o reflexo instintivo fizeram Esmeralda relinchar alto e erguer-se nas patas traseiras. Lorenzo perdeu o equilíbrio, seu corpo foi lançado para trás, e quando atingiu o solo lamacento, tudo se tornou um borrão. O impacto o deixou atordoado. A dor explodiu por suas costas, e sua visão escureceu momentaneamente. Piscou, tentando manter-se consciente, mas a linha entre a lucidez e o apagão se tornava cada vez mais tênue. Sentiu suas pernas falharem, o mundo girar ao seu redor. Então, foi puxado. Seu corpo deslizou pelo chão úmido até sentir algo sólido em suas costas. Uma rocha grande, áspera, servindo como cobertura em meio ao tiroteio. A respiração ofegante de alguém muito próximo se misturava ao zunido distante que preenchia seus ouvidos. - Lorenzo! Droga, fala comigo! - Allyson estava ao seu lado, segurando seu rosto com as duas mãos, os olhos arregalados pelo pânico. Seu peito subia e descia rápido, a adrenalina bombeando no mesmo ritmo dos tiros que continuavam zunindo ao redor. Lorenzo piscou, lutando para manter o foco. Seu coração batia como um tambor descompassado em seu peito. A lama fria impregnava suas roupas, o cheiro de pólvora e terra molhada misturando-se no ar sufocante do combate. Então, seus olhos encontraram a figura. A alguns metros, ainda montado em um imponente cavalo negro, a figura misteriosa o observava. O cano da arma ainda fumegava, os olhos brilhavam sob a aba do chapéu. Então, um detalhe se destacou, algo que Lorenzo não esperava. Era uma mulher.All Rights Reserved
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