Não sei o que é mais perturbador:
Lembrar de uma vida inteira ou viver em uma que nunca fez sentido.
Meu nome é Caroline Forbes ou pelo menos é isso que todos dizem.
Cresci ouvindo esse nome ser chamado nos corredores da escola, em reuniões familiares, sussurrando em momentos de afeto e gritando em discussões vazias, mas sempre soou... estranho, falso, como se tivesse sido costurado por cima de algo que veio antes.
algo que pertence a mim de verdade.
O problema é que eu sei que não pertenço a este mundo. Não a este universo. Sei disso porque me lembro do anterior. Lembro da chuva no vidro do carro, da discussão com meu irmão, a espera do meu pai em casa, o clarão vindo da contramão. Lembro da morte, da minha morte.
E lembro da vida, longa, dedicadas e intensa. Médica, psicóloga, fotógrafa frustrada e detetive por tédio, com uma existência racional demais pra acreditar em destino.... até ele bater de frente comigo literalmente.
Mas nada, absolutamente nada, me preparou para acordar como um bebê em um universo onde demônios usam ternos e anjos sangram de verdade. Onde nome Caroline Forbes não carrega um histórico de cheerleader e vampiros apaixonados, mas é só um eco dissonante, uma peça fora do tabuleiro.
Porque este não é Mystic Falls. Aqui, não existem os Salvatores, não há original algum, aqui existem os Winchester, monstros antigos demais para serem catalogados e, mesmo assim, eu existo neste lugar. Eu, com um nome que deveria pertencer a outra história, que não está sendo contada aqui. Passei anos negando, fingindo que não lembrava, que era apenas uma garota normal, que não estava presa entre o que fui, o que sou.
Mas a verdade é uma vadia teimosa. Ela pressiona, corrói e eventualmente, ela grita.
E agora, o que era só confusão...virou pergunta.
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