Fraguimentos de Mim

Fraguimentos de Mim

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WpMetadataNoticeLast published Sat, May 10, 2025
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Poetry
Fragmentos de Mim eu não escrevo para ser lida. escrevo para não desaparecer. esse livro é um corpo aberto. cada poema, uma ferida. cada capítulo, um sussurro entre as vozes que vivem em mim. não é sobre cura. é sobre existir - mesmo quando tudo dentro grita por silêncio. sou feita de memórias partidas, de dias que não amanhecem, de vontades que morrem no berço. tenho depressão, ideação suicida, TDI. tenho medo de viver, mas mais ainda de morrer. sou muitas, sou nenhuma. sou um diário que sangra. os poemas que você vai ler são prelúdios - como pequenas mortes que avisam o fim antes que ele chegue. os capítulos são pedaços meus, espalhados no tempo, gritando verdades que ninguém quis ouvir. se você abrir essas páginas, não espere esperança. mas talvez - só talvez - encontre alguém que sentiu como você. e isso, às vezes, é o que salva.
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Você não queria estar aqui lendo esse monte de merdas; e, talvez, eu também não queria ter escrito essas coisas. Porque se existisse algo que fizesse-nos sentir úteis, a mísera possibilidade de possuir essa coisa, de bom grado, estaríamos doando até a nossa alma, ou o que restou dela. Não estaríamos perdendo tempo lendo essas coisas. Por favor, caro leitor, não demonizem os meus pensamentos, nem as minhas lembranças. O diabo é coisa séria, e eu não ousaria brincar com alguém que sente prazer em ter a companhia de outras pessoas; mas também é preciso ter o mínimo de decência, e vocês hão de concordar comigo, não é preciso trazer a tona a sua moralidade religiosa, subjugar palavras de um tolo que não tem nada para lhes oferecer. Eu tenho uma cabeça doente, a minha alma foi forjada pelo fogo da tristeza e da solidão. Isto não é um manifesto contra toda a distopia criada pela minha memória. São, apenas, palavras. Palavras soltas tentando remontar a minha memória; essa, sempre desconexa, que coexiste pelas lembranças de um passado desordenado, um presente difuso e um futuro, indecentemente, incerto. Hoje, eu já não sei mais o que eu sou, mas, um dia, eu já fui o Esteban.

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