O Eco do Ontem

O Eco do Ontem

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WpMetadataNoticeLast published Tue, May 6, 2025
Henrique sempre acreditou que aquele fim de tarde comum, entre brinquedos de plástico e o cheiro do almoço caseiro, era apenas mais um dia perdido na vastidão da infância. Mas tudo mudou quando, por três segundos que duraram uma vida inteira, ele viu algo, ou alguém, à beira do portão. Uma figura impossível, coberta por um terno que parecia devorar a luz, sem rosto e sem explicação. Desde então, o tempo nunca mais foi linear. Anos depois, entre sessões de terapia e memórias que insistem em retornar como sombras, Henrique tenta costurar os fragmentos de uma existência marcada por ecos, silêncios e uma presença invisível que jamais o abandonou. Misturando lirismo poético com reflexões sobre o tempo, a morte e a memória, O Eco do Ontem é uma jornada íntima ao território onde a infância e o desconhecido se encontram, e onde, talvez, os mortos apenas mudem de forma.
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O Vizinho

A casa ao lado ficou vazia por anos, até que um novo morador chegou. Ele sorri no momento certo, tem um tom de voz sempre calmo e nunca parece nervoso. Talvez calmo demais. Educado demais. No começo, a família Salgado o recebe com a cortesia habitual. Mas, aos poucos, algo se insinua no ar, algo que não pode ser explicado, apenas sentido. O vizinho parece saber exatamente o que cada um precisa ouvir. Às vezes, sua presença é reconfortante; outras, faz o estômago revirar sem motivo aparente. Ele nunca faz nada alarmante. Nunca diz nada ameaçador. Mas, quando ele olha, ninguém consegue desviar o olhar. Sofia, a filha adolescente, sente como se ele enxergasse através dela. Clara, a mãe, percebe que ele sempre aparece nos momentos certos-ou errados. Miguel, o pai, luta contra a sensação de que algo está fora do lugar, mas não consegue apontar o quê. Já o pequeno Lucas... bem, ele diz que o vizinho nunca pisca. Os dias passam. Pequenos detalhes se acumulam. A tensão cresce. Nada acontece-e, ainda assim, tudo parece prestes a acontecer. Então, uma noite, algo acontece. Mas quando tentam falar sobre isso... ninguém consegue concordar com o que viram. E, pouco a pouco, a pergunta se instala na casa, nos sonhos, nos ossos: Quem, ou o quê, realmente vive na casa ao lado?

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