Jung Kook levava uma existência regida pelos pressupostos da autodeterminação, da lógica empírica e da linearidade existencial. Entretanto, um colapso técnico em uma unidade aeroespacial de extração biológica - originalmente programada para evacuar infantes órfãos de uma colônia interestelar em colapso - o remove, inadvertidamente, de sua realidade. A nave, dotada de sensores gravitacionais responsivos a padrões vitais frágeis, registra erroneamente seu perfil bioenergético como compatível, capturando-o e transladando-o para uma biosfera radicalmente antitética à estrutura terráquea.
No novo habitat, embora sua morfologia humana seja preservada, Jung Kook sofre uma reconfiguração fisiológica compulsória: sua musculatura perde tonicidade, a derme adquire hipersensibilidade cutânea, e seu aparato locomotor torna-se funcionalmente inerte. Submetido à categorização local, ele é imediatamente classificado como um baby - entidade biologicamente dependente, tutelada e socialmente reconfigurada.
Aquela civilização é composta por seres de escala monumental, cuja ontologia social é estruturada em torno da tutela e do zelo integral. Cada baby é atribuído a uma figura cuidadora, sob chancela exclusiva do monarca soberano: Rei Park Ji Min. Este, no entanto, ao deparar-se com a anomalia sistemicamente imprevista de Jung Kook, abdica do protocolo e assume, de forma direta e pessoal, sua custódia.
Entre ambos, não emerge vínculo romântico, mas uma simbiose intersubjetiva, fundada na confiança, na interdependência e na desconstrução da lógica antropocêntrica da autonomia.
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