poesia e grito

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Dói, mas eu quis dizer: - como sangrar no papel, há lágrimas me afogar. É o grito silencioso de uma alma que encontrou na escrita sua única forma de respirar. Cada palavra é um corte aberto, cada frase, uma veia exposta. O papel deixa de ser página e se torna pele - pele que sente, que sangra, que guarda as dores que não cabem mais no peito. Há algo de corajoso e desesperado nesse gesto: dizer, mesmo doendo. Escrever, mesmo quando cada letra escorre como lágrima. O eu lírico se entrega por inteiro, diluído entre tinta e sal - entre a dor que insiste em permanecer e o alívio possível de transformar sofrimento em beleza. - Ely
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Troféus de Lamentos é um relicário de dores expostas, verdades arrancadas a sangue-frio e sentimentos largados no canto - embolorados, mas ainda pulsando. Cada poema é um troféu: não de vitórias, mas de perdas dignas, de silêncios ensurdecedores e memórias que insistem em sangrar. Nathália Guimarães escreve como quem não teme a ferida aberta - ela mergulha, disseca, transforma o íntimo em palavra e o incômodo em arte. Aqui, não há espaço para suavizar. Há espinhos, há vísceras - mas também a beleza crua de quem sobreviveu a si mesma.

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