Cegueira Cativa

Cegueira Cativa

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WpMetadataNoticeLast published about 18 hours ago
Jung Kook cresceu envolto em trevas - não apenas as impostas pela cegueira, mas aquelas, muito mais cruéis, tecidas por sua própria família. No interior daquela casa silenciosa, a violência assumia mil formas, e nenhuma delas era visível aos olhos do mundo. Os castigos vinham disfarçados de disciplina. Um empurrão brusco por derrubar algo que não podia ver. Um beliscão cruel por demorar a responder. Tapas rápidos, quase calculados, administrados com a frieza de quem sabe exatamente onde a dor não deixa marcas. Quando não havia agressão direta, vinha a negligência ativa: o prato retirado da mesa como punição, a porta trancada por horas sem que soubesse o motivo, o banho frio despejado sobre o corpo como se ele fosse uma máquina a ser lavada. Mas o que o quebrava não era apenas o impacto físico - era a confusão. Os mesmos que o feriam, depois o abraçavam. Os mesmos que o empurravam contra a parede, depois o acariciavam e sussurravam que era "para o seu bem". A dissonância era um veneno lento. Ele cresceu acreditando que merecia aquilo. Que a dor era pedagógica. Que o amor vinha assim mesmo: ríspido, autoritário, doloroso. A cegueira impedia que enxergasse os rostos deformados pelo ódio ou pela falsa compaixão, mas não o protegia da brutalidade dos gestos. Ele sentia. No couro cabeludo puxado sem aviso. Nos joelhos arrastados contra o chão áspero. No estômago afundado por um chute seco e silencioso. E mesmo assim, pedia desculpas. Porque o verdadeiro cárcere não estava nas paredes - estava na crença de que tudo aquilo era amor.
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Minwoo tinha apenas três semanas de vida quando morreu. Uma febre ignorada, um choro não ouvido. A palavra que os médicos usaram foi "negligência". Mas para a Sra. Jeon, significou colapso. Para o resto da família, perda. Para Jung Kook, de 17 anos, significou anulação. Ele era o irmão mais velho, com sonhos, uma bolsa de estudos em música, e um quarto cheio de futuro. Mas após o enterro, tudo mudou. A mãe começou a chamá-lo de "meu bebê", começou a dar papinhas no jantar, vestir roupas com estampas infantis. Ele tentou ignorar. Depois, tentou resistir. Mas quando chegou da escola e viu seu quarto transformado - paredes azuis, berço tamanho adulto, fraldas dobradas e um body com o nome "neném " costurado - percebeu que não era mais uma fase. Era uma substituição. - Hoje a gente começa de novo, meu amor - disse a mãe, com lágrimas de afeto doentio. Fraldas. Mamadeiras. Castigos por "desobedecer as regrinhas do bebê". Chupetas esterilizadas. Recompensas por se comportar como neném . E, com o tempo, a dúvida se infiltrou como veneno. "E se eu for mesmo um bebê?" "E se eu nunca tivesse crescido?" Aos poucos, o reflexo no espelho desapareceu. O corpo era de um adolescente. Mas a mente... a mente estava sendo moldada por um luto que não enterrava mortos - apenas destruía os vivos.

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