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Eu prefiro garotas

Eu prefiro garotas

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WpMetadataNoticeLast published Tue, Jun 3, 2025
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Fiction
Romance
Hadassa sempre viveu com a armadura erguida: poucas palavras, olhar firme, uma vaidade silenciosa que a fazia se destacar mesmo tentando se esconder. Leena, com seus olhos de tempestade e coração nas mãos, nunca teve medo de sentir - ou de mostrar. As duas não tinham planos de se encontrar naquela pracinha esquecida de uma tarde comum, muito menos de se perder uma na outra. Mas às vezes, bastam alguns olhares trocados, conversas tímidas e um beijo entre suspiros para que tudo comece a mudar. Entre medos calados e desejos que florescem devagar, Hadassa e Leena descobrem que o amor também pode nascer no intervalo entre palavras - e crescer ali, onde ninguém mais olha.
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Eu tinha tudo. Ou, pelo menos, era o que todos acreditavam. Uma empresa de moda consolidada, influência nos círculos mais seletos, uma conta bancária que sustentaria gerações. Mas o vazio sob o peso dessas conquistas era impossível de ignorar. Eu me casei por amor. Ou, pelo menos, foi o que pensei. Sara tinha esse efeito sobre as pessoas - um magnetismo sutil, uma capacidade de fazer você acreditar que o mundo poderia ser um lugar menos insuportável ao lado dela. Eu amava Sara. Mas, com o tempo, o amor começou a se dissolver sob o peso das dúvidas. Pequenos detalhes - olhares que pareciam medir mais do que apreciar, respostas que soavam... vazias. Será que o amor de Sara era só uma fachada para o verdadeiro objeto de desejo - meu dinheiro? Foi nesse contexto que encontrei o bar. Um lugar discreto, imerso em luz baixa e música abafada, onde os drinks eram precisos e o anonimato oferecia alívio. Eu ia para lá sempre que o silêncio em casa se tornava insuportável, sentava no mesmo banco, acendia um cigarro e deixava o gosto amargo do uísque deslizar pela garganta. E foi lá que comecei a conversar com a barista. Eu não sabia o nome dela - e nunca perguntei. Ela tinha um sorriso fácil, mas um olhar agudo demais para ser ingênuo. O tipo de pessoa que te enxerga antes mesmo de você abrir a boca. Ela ouvia sem julgamentos. Às vezes, dava conselhos diretos, com uma clareza quase cruel. O mais estranho é que ela parecia me entender - não como Faye Peraya, a empresária bem-sucedida, mas como alguém que carregava o peso de um amor que começava a desmoronar. Eu não sabia por que confiava nela. Talvez fosse a maneira como ela me olhava, sem expectativa, sem exigência. Talvez fosse o fato de que, diante dela, eu não precisava ser nada além de... eu.

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