A Bancária que Não Sabia Contar Dinheiro
8 partes Continúa Clara tem um metro e cinquenta de altura - um e cinquenta e cinco se você não for um fiscal da verdade e ela estiver de salto -, uma língua afiada e uma habilidade invejável para calcular juros compostos. Pena que a matemática não a protegeu de um calote emocional: na véspera do casamento, seu noivo trocou as alianças e o buffet parcelado por um "claustro protestante no Tibete". Ela reagiu da única forma honesta que conhecia: vinho, mensagens desaforadas e uma camisa autografada pelo Neymar (o xodó do ex) em chamas. Nada recomendável, mas profundamente humano.
Abandonada com as prestações, uma tia de Uberaba e uma carreira bancária que drena sua alma - e seus pulsos, graças a uma síndrome do túnel do carpo -, Clara encontra refúgio no oposto de sua rotina pragmática: a fantasia. Ao lado de Miguel, um programador ruivo de quase dois metros que prefere códigos a conversas, ela começa a escrever sobre elfos exilados por não atingirem a perfeição. Entre cafés frios e debates sobre Tolkien, Clara descobre o que é afeto sem cobrança e parceria sem performance.
Mas o mundo real não dá trégua. Na agência, surge Davi Lobo, um coordenador enviado para "arrumar" o que não está quebrado. Impecável e convincente, Davi enxerga o potencial de Clara, mas oferece um pacto silencioso: o sucesso em troca de um "reposicionamento" que ela chama de mentira com MBA. Ser vista brilhando, porém, tem um sabor perigoso.
Para complicar, há Akira Tanaka, o fisioterapeuta que toca seus pulsos com um cuidado raro. Ele é o caminho lógico, o "genro dos sonhos" que nunca dá trabalho. O problema é que Akira teme que o amor vire apenas mais uma busca pela excelência. Com Clara, ele perde o controle do script, o que é tão assustador quanto libertador.
Entre números, elfos e dilemas, Clara precisará descobrir que algumas contas simplesmente não fecham.