Exausta pela manipulação incessante de Roswaal e pela frustração de um coração que não ousa falar, Ram afogou suas amarguras em uísque, até que a bebida e o cansaço a venceram. Ela deslizou pelo chão frio do corredor, prestes a render-se à inconsciência ali mesmo, quando um par de braços familiares a ergueu.
Foi Subaru quem a encontrou. Na vulnerabilidade embriagada, palavras há muito reprimidas escaparam dos lábios de Ram - confissões ácidas, dores expostas, uma verdade que a sobriedade jamais permitiria.
Para sua surpresa, Subaru não a julgou. Em vez disso, com uma amargura reconhecível, confessou que também conhecia a solidão mesmo cercado de pessoas. Falou dos seus próprios tropeços, de como sua ansiedade e entusiasmo muitas vezes arruinavam momentos que deveriam ser doces com Emilia.
Naquele limbo entre a embriaguez e a lucidez, um pensamento perigoso e pragmático brotou na mente de Ram. Se ambos estavam presos em afetos não correspondidos e carregavam dores similares, por que não criarem um refúgio?
Com um olhar sério, ofuscado pelo álcool, mas carregado de uma lógica desesperada, ela propôs:
-Barusu... E se fizéssemos um acordo?
- Que tipo de acordo? - ele perguntou, cauteloso.
- Um pacto. Nós dois, juntos. Uma ou duas vezes por semana. Sem romance, sem promessas vazias. Apenas... usando um ao outro para esquecer o resto. Um alívio mútuo e temporário.
A oferta pairou no ar, pesada e proibida. Não era uma proposta de amor, mas de trégua - um consolo perigoso entre duas almas machucadas que, por um momento, acreditaram que poderiam curar as feridas uma da outra, mesmo que apenas temporariamente.
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