Ao longo da minha vida, compararam-me a ele, aquele cuja alma se desdobra em dor, em morte sentida, em amores que se perdem como folhas que o vento leva sem destino. Escrevo este livro com os poemas que brotaram de mim, não apenas em nome dele, mas em nome da vida que me coube viver e da criação que, sofrida, me moldou. Não sou Pessoa, e sei-o com inteira clareza. Mas se um dia houver de morrer, que seja com o peito cheio da ilusão de ter pertencido à linhagem dos poetas. Que eu morra como um dos loucos que acreditou que podia caminhar entre os ecos da sua voz. Pois nesta língua, a minha, a nossa língua portuguesa, feita de saudade, liberdade e lamento, eu viverei sempre com orgulho de ser poeta. Poeta que se curva à tradição, poeta que morre diante do mundo inteiro, mas que vive, sempre, por amor. E que do amor faz dor. E da dor, eternidade. Poeta como Pessoa.
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