Loneliest - JK

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A campainha tocou às 22h47. Ela não se assustou. Talvez porque já soubesse - no fundo, sempre soube - que ele voltaria. Tarde demais, como sempre. Carregando nas mãos vazias todas as palavras que nunca teve coragem de dizer. Numa sala marcada por silêncios, lembranças e um sofá que já foi abrigo, duas pessoas tentam se reconhecer entre os destroços do que um dia chamaram de amor. Mas às vezes, o amor não é suficiente. Não quando chega tarde. Não quando é sussurrado só depois que a porta se fecha.
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+16 Eu sempre ouvi portas batendo. Choros na madrugada. Silêncios que gritavam mais do que qualquer discussão. Minha casa grande de paredes enormes, nunca foi um lar E melhor lugar para se esconder era a fazenda. Entre troncos ocos e plantações de café, eu podia desaparecer-até que, finalmente, alguém me encontrou. Liliana, nossa protagonista, cresceu entre dois mundos: o da infância cheia de refúgios e o da casa onde o amor parecia sempre à beira de um colapso. Ela desenvolveu a habilidade de se esconder, a segurar o choro e a marcar os dias no calendário, esperando pelas férias como se fossem a única chance de respirar. Mas o que acontece quando crescer significa não poder mais fugir? Essa é uma história sobre os traumas silenciosos da infância, sobre encontrar abrigo onde menos se espera e sobre como, em algum lugar da vida, talvez Liliana encontre um lar onde as portas não batem.

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