Foi em Março

Foi em Março

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WpMetadataNoticeLast published Fri, Jun 13, 2025
A cidade parece maior agora. É como se cada prédio escondesse um novo desafio, uma nova chance de se perder. Antoni carrega a mochila nas costas, o fone no ouvido e um aperto discreto no peito. Tem 17 anos e acaba de ingressar na faculdade, na capital, depois de passar a vida toda na cidade vizinha - um lugar onde todo mundo se conhece, e ser diferente nunca passa despercebido. Ele é negro de pele clara, com os cabelos cacheados caindo sobre a testa, e uma expressão doce que não esconde sua feminilidade. Nunca foi do tipo que se encaixa. E, talvez por isso, aprende a caminhar com o queixo erguido, mesmo quando por dentro tudo parece balançar. A cidade é barulhenta, agitada, cheia de rostos apressados - e entre eles, ele. Um pontinho perdido no meio da multidão. Mas o destino, como sempre, tem suas brincadeiras. Manuka mora ali, na capital, há anos. Tem 18 anos, não estuda mais, e anda pelas ruas como se o mundo fosse dele. É branco, com um estilo meio bad boy, olhar desconfiado, e uma presença difícil de ignorar. É bissexual, embora isso nunca seja assunto com ninguém além dele mesmo. A vida o obriga a crescer cedo demais - e agora ele procura trabalho, sobrevivendo com o que dá. O curioso é que Antoni e Manuka já se conhecem. De certa forma. Três anos atrás, se esbarram em algum canto da internet. Conversam por semanas, trocam confidências, sorrisos tímidos por mensagem e até algumas vontades que ficam no quase. Mas nunca se veem de verdade. Nunca passam da tela. Entre promessas adiadas e silêncios mal explicados, tudo esfria. E a vida segue. Ou pelo menos parece que segue. Até agora.
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Ódio à primeira vista existe, podendo ser comprovado por Cruz e Montenegro. Eles se odeiam desde o primeiro momento, desde a primeira conversa, desde o primeiro dia de trabalho. A pior parte? É não poderem romper esse vínculo e ainda terem que se aturar pelo período de três meses, no qual o ódio aumenta gradativamente. Será que esse sentimento poderá mudar entre operações, casos e investigações? Ou todo esse ódio irá destruí-los?

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