As paisagens de Montana carregavam predadores ferozes, dispostos a fazer tudo por sua caça dentro do possível, era um ecossistema impiedoso, ou você lutava para sobreviver ou morria, era fato. A vida ali ainda cercava o oculto, se enraizando nas formas tradicionais de vida dos antigos dali, a maioria das famílias que viviam ao redor das cidades, em pequenos ranchos, fazendas, ou cabanas de acampamento, buscavam pela calmaria da natureza, a paz que a sociedade havia esquecido por um longo período de tempo.
Mal sabia eles que aquelas florestas carregavam um peso de guerra de anos nas costas, os antigos indígenas diziam que a natureza ali estava apodrecendo, prestes a revelar ao mundo todas as mortes dos que viviam em paz ali, assassinados pelo ferro veloz que cortava a carne em um estouro. No horizonte esculpido, havia mais do que uma natureza, havia almas que habitavam ali antes de tudo que conhecíamos.
Kaya estava disposta a lutar pelo o que acreditava ser certo, pela lealdade, entraria na floresta e mataria o inimigo no escuro, pelo conforto de um lar, pelas palavras que procurava ouvir de alguém, não tinha força de um urso, mas não se importava aquela altura da guerra, era só mais uma no meio do tiroteio, mas enquanto conseguisse segurar uma arma, estaria atirando. Mas tinha um problema, não sabia se Rebeca estaria disposta a ficar e batalhar com ela, a entende-la de alguma forma.
Rebeca estava disposta a se proteger, guardar para si o que restava do que era, pegar seus pertences e se entregar a força da natureza, iria para qualquer lugar se preciso, estava preparada para perder tudo se isso significasse que de alguma forma estaria viva no final do dia. Não iria fugir, era diferente, encarar seus medos de frente não era algo do seu feitio, e preferia assim, levando em consideração que seu maior medo fugia da sua pessoa a mais de 20 anos. Mas tinha um problema, não sabia se Kaya estava disposta a abandonar a lealdade para seguir a paixão.
Creative Commons (CC) Attribution