Prometi ao espelho que jamais beberia,
que o gosto amargo do álcool
morreria com os erros do meu pai.
Mas aqui estou...
com a garrafa nas mãos,
afogando as lembranças que nunca quiseram nadar.
Me jurei pureza.
"Nem cigarro, nem droga", eu disse,
mas as promessas frágeis se partiram
como minha infância esquecida nos gritos de casa.
Hoje sou abrigo de substâncias,
refúgio de dores caladas,
um corpo presente e uma alma exausta,
morrendo aos poucos, não de corpo,
mas de silêncio.
Fui menina de riso fácil,
de olhos vivos e planos grandes.
Hoje, só sei esperar...
um fim qualquer, um descanso,
ou uma explicação para a vida doentia.
Me pergunto se a morte é mais leve,
se o outro lado é menos cruel.
Porque aqui, neste mundo apodrecido,
a bondade parece doente,
e o amor... cada vez mais ausente.
Errei sim,tantas vezes,
mas não por maldade,
por confusão, por desespero,
por querer encontrar paz nas ruínas.
Só queria voltar...
reencontrar a garota de antes,
a que sorria com o sol,
a que dançava sem medo do amanhã.
Só queria...
não ser um peso nos ombros de quem amo.
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