Um livro para chorar, rir e nunca esquecer.
Após o colapso emocional e narrativo de Project A, resta uma pergunta que ecoa como um sussurro nos corredores da mente: quem era, afinal, Yotsuke?
Ela sempre esteve lá. Invisível, mas presente. Uma sombra sutil nas entrelinhas, um nome que soava mais como um aviso do que como uma identidade. Agora, pela primeira vez, os véus se levantam - e o palco pertence a ela.
Yotsuke, a mulher que escreve como quem sangra. Que ama como quem destrói. Que observa o mundo como se este fosse um livro inacabado à espera da sua última frase. Ela é um poema trincado por dentro, uma figura que mistura intelectualismo cruel com uma sensibilidade capaz de arrastar os leitores para abismos emocionais de onde talvez não regressem. Este não é o seu início. É a sua gênese distorcida.
Neste prelúdio devastador, viajamos até ao Japão dos anos 2000, mas não o Japão dos guias turísticos ou dos animes coloridos. É um Japão onírico e doente, repleto de névoas, escolas silenciosas demais, becos onde a realidade dobra as regras e sentimentos que se tornam armas. Neste cenário, Yotsuke cresce, observa, escuta... e começa a escrever. E cada palavra que escreve é como um sismo pequeno - quase imperceptível - mas que, ao longo das páginas, ameaça ruir tudo à sua volta.
Este é o livro que ela teria escondido. Que ela talvez não quisesse que lêssemos. Um romance onde o desastre é o enredo e o amor é um espelho partido. Onde cada gesto tem uma segunda intenção, cada frase carrega um subtexto, e cada memória é uma armadilha.
Projeto Yotsuke não é apenas uma prequela. É uma descida ritual aos corredores escuros da alma de uma personagem que, até então, preferia viver nas margens. Mas cuidado: há livros que são janelas. E há livros que são espelhos partidos. Este é ambos.
⚠️ Feito apenas para aqueles que sobreviveram ao inferno emocional de Project A. Não abras esta porta sem teres atravessado a anterior