Um triângulo amoroso. Três garotos. E um passivo com cinturinha de princesa no meio da confusão.
Laray nunca levou muita coisa a sério, nem as aulas, nem o horário, nem os avisos da coordenação. Baixinho, magro, debochado e com uma cinturinha digna de causar acidentes nos corredores da escola, ele vive jogando piadinhas, implicando com o casaco do amigo e fazendo graça até nas situações mais improváveis. Mas por trás do humor fácil e das tiradas afiadas, ele nem imagina o tipo de sentimento que está prestes a descobrir.
Luca é o melhor amigo. Aquele que aguenta Laray desde sempre. Mais alto, com uma pancinha que o outro adora zoar (e admirar), Luca é o tipo mais maduro, mas não frio. Esconde um sentimento antigo, profundo, daqueles que crescem em silêncio entre risadas e partidas de baralho no intervalo. Ama Laray, em segredo. E morreria antes de estragar a amizade deles com uma confissão mal colocada.
Mas então surge Plácido.
O garoto novo, esquisito. De dedos tortos, humor sombrio, gosto por metal pesado e piadas que fariam qualquer professor pedir terapia. Plácido não fala muito, mas observa. E quando olha Laray... tem alguma coisa ali. Uma delicadeza estranha, uma doçura torta, um carinho que se esconde por trás da vergonha e das inseguranças. Ele também sente, mas prefere calar.
Agora, entre trabalhos escolares, risos abafados no fundo da sala e provocações de corredor, três garotos vão se enredar num jogo que nem eles sabem explicar. Um jogo onde ninguém confessou... mas todo mundo sente.
Porque às vezes, o coração escolhe antes da gente perceber.
E em meio a tantas brincadeiras, as verdadeiras intenções podem escapar.
(CC) Attribution-ShareAlike