Entro no banheiro ainda com a mente confusa. Ligo a torneira, olho pro espelho e tento organizar os pensamentos. A imagem de Dian tirando a roupa não sai da minha cabeça. Não por malícia... mas por surpresa, por não entender o porquê de ele ter feito aquilo ali, achando que eu ainda dormia.
Lavo o rosto, respiro fundo e tento acalmar meu coração. Mas uma pergunta martela dentro de mim:
- Por que ele quer ir embora tão cedo? Do que ele está fugindo?
Saio do banheiro e encontro Dian encostado na porta, com o capacete em uma mão e o celular na outra. Ele não me vê de imediato, parece concentrado em algo. Quando percebe minha presença, guarda o celular rapidamente e força um sorriso.
- Pronta? A gente tem que ir agora, não dá pra esperar muito.
- Tudo bem... - respondo, mas meu tom sai mais hesitante do que eu gostaria.
Ele me entrega o capacete, e eu coloco sem falar mais nada. Caminhamos até a moto, e antes de subir, ele olha pra mim com um olhar sério, quase preocupado.
- Mari... só confia em mim hoje, tá?
Eu hesito. Mas acabo assentindo com a cabeça.
Subimos na moto, e Dian acelera assim que saímos dali. O vento bate no meu rosto e eu fecho os olhos por um instante, tentando entender o que está acontecendo. Tudo parece estranho... a urgência, o silêncio dele, a maneira como ele me abraçou enquanto dormíamos. Tem algo por trás disso tudo, eu sinto.
Depois de um tempo na estrada, Dian finalmente fala, sem me olhar:
- Se alguém perguntar onde você estava ontem... diz que dormiu na casa de uma amiga, tá bom?
Eu congelo.
- Por quê?
- Só diz isso. É melhor pra você... e pra mim também.
Eu fico em silêncio, mas dentro de mim, o medo e a desconfiança crescem. O que ele está escondendo de mim?
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