OBSESSÃO

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WpMetadataNoticeLast published Sat, Aug 9, 2025
Como eu tinha ido parar ali...? Eu não fazia a menor ideia. Minha última lembrança era de estar fotografando alguns patos no lago. E agora, aqui estou. Numa cama, cercada de silêncio e dor. Antes que eu pudesse tentar me sentar, a porta se abriu, revelando a figura de uma enfermeira - magra, de cabelos curtos e expressão serena. Ela entrou com uma bandeja de comida nas mãos, sorrindo gentilmente. - Calma, não se esforce... - disse, com uma voz leve, enquanto colocava a bandeja sobre uma mesinha próxima. - Seu acidente foi feio, hein? Mas vai ficar tudo bem. Ela se aproximou da cama, seu olhar atento a qualquer sinal de desconforto. - Como se sente, Sakura? - Eu... eu não sei - respondi, a voz fraca e rouca. Minha cabeça latejava. - Como eu vim parar aqui? - Você estava saindo do parque e, ao atravessar a rua, um carro bateu em você - respondeu com cuidado, escolhendo as palavras para não me assustar ainda mais. - Eu... eu não me lembro de nada - murmurei, quase num sussurro. - Sorte que você estava com seu marido. Ele te trouxe bem rápido. - Ela sorriu com ternura. - É uma mulher de sorte... com todo respeito. Marido? Levo alguns segundos para processar o que ela disse. Como assim... meu marido? Eu era casada? Quando isso tinha acontecido? Nada fazia sentido. Minha mente era um véu em branco, sem datas, sem nomes. Só silêncio. Antes que eu pudesse perguntar qualquer coisa, a porta se abriu novamente. Um homem alto entrou. Cabelos pretos, longos até o maxilar. Seu olhar me fez arrepiar. Era intenso... familiar... Mesmo sem lembrar de nada, algo em mim sabia. Eu o conhecia. Ele se aproximou da cama com passos contidos. Seus olhos não se desviavam dos meus. Então, um sorriso leve surgiu em seus lábios. Sua voz preencheu o quarto. Baixa, mas firme. - Que bom que acordou, querida. Eu estava tão preocupado.
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Em um mundo regido por sangue, poder e silêncio, Evangeline nunca teve escolhas. Criada para obedecer, protegida demais para entender o que existe além das paredes da mansão, ela cresce alheia à brutalidade do império criminoso ao qual pertence. Sua inocência não é fragilidade - é resultado de um controle absoluto, de uma vida moldada para que ela nunca questione, nunca deseje, nunca escape. Com 17 anos seu destino é selado: ela será esposa de Constantine I, o grande patriarca do império. O casamento não é amor, é aliança. Estratégia. Um contrato silencioso. Evangeline aceita sem compreender totalmente o que aquilo significa... até ser rejeitada. Constantine I recusa a união sem explicações, deixando-a marcada pela humilhação e pelo peso de ser considerada insuficiente. Para evitar rupturas entre famílias, uma nova decisão é tomada às pressas: o irmão de Constantine assumirá o compromisso. Um acordo frio, feito sem que Evangeline tenha voz. Ela passa a pertencer a outro nome, outro destino, outra prisão. No jantar de noivado, cercada por homens perigosos, olhares calculistas e conversas que escondem ameaças, ele a vê pela primeira vez. E se perde. Evangeline, com sua postura contida, seus olhos que não sabem mentir e sua pureza deslocada naquele ambiente cruel, se torna tudo aquilo que ele jamais deveria querer. Mas quer. Intensamente. Irremediavelmente. Enquanto ela permanece inconsciente do perigo que representa - tão inocente que não percebe a obsessão nascer - ele passa a desejá-la como se fosse a única coisa capaz de quebrar o vazio dentro dele. Em um universo onde sentimentos são fraquezas e mulheres são moedas de troca, esse desejo pode significar poder... ou ruína. Evangeline não sabe ainda, mas naquela noite seu destino muda. Não porque escolheu, mas porque alguém decidiu que ela seria dele.

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