Anahí sempre teve tudo o que o dinheiro pode comprar, exceto aquilo que nunca soube nomear. Criada entre ausências bem disfarçadas, aprendeu cedo a silenciar emoções, a ocupar espaços sem incomodar, a parecer inteira mesmo estando vazia. O álcool entrou em sua vida como algo social, inofensivo, elegante. Ficou porque funcionava. Até o dia em que deixou de ser escolha e passou a ser necessidade. Alfonso, por outro lado, nunca acreditou que pudesse fugir do que fez. Carrega nos ombros a culpa de um acidente que mudou tudo: uma estrada, uma decisão errada e a irmã que não voltou para casa. Desde então, viver se tornou um exercício de punição silenciosa. Beber não era prazer, era castigo. Uma forma lenta de repetir o erro todos os dias. Eles não se encontram por acaso, nem por romance. Se encontram no mesmo ponto de ruptura: um lugar onde fugir já não é possível e ficar exige coragem demais. Em reabilitação, Anahí e Alfonso reconhecem no outro aquilo que tentaram esconder de si mesmos: a dor não resolvida, o medo de existir sem anestesia, a dificuldade de permanecer sóbrio diante da própria história. Entre recaídas emocionais, silêncios compartilhados e limites necessários, nasce uma conexão que não promete salvação. Porque ali ninguém pode salvar ninguém. O que existe é a tentativa diária de continuar. De não correr. De ficar. Essa é uma história sobre vício que não começa no copo. Sobre culpa que não termina no perdão. E sobre o ato mais difícil de todos: permanecer. ❌ Plágio é crime.
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