Entre devaneios, escondido em silêncio, na sombra de algo imenso, composto por tecido de lágrimas e feridas, mãos trêmulas feitas de passado e futuro escrevem para olhos cegos que habitam o presente. Olhos que talvez jamais leiam.
É nessa penumbra que nascem cartas, usando a alma como papel e os sussurros de lamento, misturados aos gritos de alegria, como lápis.
Cartas escritas sem intenção, por um eu feito de humanidade machucada, alegria passageira e o entardecer de dias difíceis. Enviadas ao acaso, apenas para se perderem no vasto mar das emoções não para quem deveria lê-las, mas para quem, por acaso, as encontre. Como encomendas enviadas a endereços errados, ou como fragmentos de pensamentos engarrafados, lançados a um rio que se divide infinitamente, carregando pedaços de dentro de mim para longe, ao redor do mundo.
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