Ela se casou cedo, cedo demais. Aos dezessete anos, ainda com a inocência estampada no rosto e a ousadia escondida nos olhos, uniu-se a um homem de trinta e cinco. Era rico, controlador e via nela mais um troféu do que uma esposa. Pouco tempo depois, ele adoeceu de maneira súbita. A cidade murmurava sobre febres estranhas, mas só ela sabia o segredo guardado na garrafa de cristal. O veneno corria silencioso pelas veias dele enquanto ela sorria com docilidade. Assim, tornou-se viúva pela primeira vez.
Dois anos mais tarde, aos dezenove, voltou a subir ao altar. O segundo marido era diferente: generoso, atencioso e verdadeiramente encantado por ela. Pela primeira vez, conheceu o conforto da ternura e de uma vida sem privações. Mas a sorte é caprichosa. Numa noite de inverno, ele tombou sem aviso, o coração traído pela própria fragilidade. O luto foi verdadeiro, mas misturado ao alívio e à herança que agora lhe pertencia. Outra vez, a cidade cochichava.
Com vinte anos, acreditou no amor. O terceiro marido não lhe deu apenas riqueza ou segurança, mas também paixão, respeito e sonhos compartilhados. Com ele, ela se via mulher completa, e o mundo parecia menos cruel. Porém, a felicidade durou pouco. Ele foi encontrado morto, vítima de um assassinato brutal, e dessa vez ela nada pôde impedir.
Aquela morte a transformou. O olhar doce se enrijeceu, os lábios perderam o riso, e a esperança se tornou cinza. Desde então, todos a chamam de Viúva Negra - não só pela juventude manchada de luto, mas porque onde quer que fosse, a morte parecia acompanhá-la.
Ninguém nunca soube até onde iam suas mãos e até onde ia o destino.
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