Entre cicatrizes e noites vazias
eu aprendi a enxergar o mundo em tons de cinza,
mas então surgiu Pedro,
um nome que soa como esperança
em meio ao caos da minha alma cansada.
Encontrei-o no acaso do JEMG,
e em seus gestos simples vi tudo que faltava em mim:
educação que não pesa,
atenção que não é esmola,
carinho que não se veste de mentira.
Ele fala com flores,
ouve MPB como quem traduz a vida,
e quando sorri, parece rasgar o silêncio
que por tanto tempo me sufocou.
Sei que o destino sussurra "impossível",
sei que o mundo insiste em colocar muros entre nós,
pois ele se declara hétero
e isso acende em mim o medo de perder antes de tentar.
Mas como desistir
se meu coração encontra paz só em sua presença?
Pedro é mais do que um amigo,
é o retrato daquilo que sempre busquei,
é a promessa de que o amor verdadeiro
não precisa gritar para ser notado,
ele apenas acontece, discreto, sincero, inevitável.
Talvez o tempo seja meu aliado,
talvez o tempo me prove que lutar valeu a pena.
E mesmo que o mundo diga não,
eu insisto em acreditar que um dia
serei mais do que aquele que o admira de longe.
Pois dentro de mim há a certeza:
a vida pode ser dura, sombria, cruel,
mas quando penso em Pedro
eu me lembro que ainda existe cor,
que ainda existe música,
e que ainda vale a pena sonhar.
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