Sempre ele
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WpMetadataReadComplete Wed, Sep 3, 2025
Entre o peso de um casamento em ruínas e o desejo que insiste em existir, Fernanda trava uma batalha silenciosa entre o coração e a razão. Cada gesto, cada palavra, cada proximidade desafia sua força de vontade. Por mais que tente enterrar os sentimentos sob camadas de negação, uma força maior sempre a arrasta de volta para ele. Walter, sempre ele.
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waltersalles
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Eu deixarei que morra em mim O desejo de amar os teus olhos que são doces Porque nada te poderei dar Senão a mágoa de me veres eternamente exausto No entanto a tua presença É qualquer coisa como a luz e a vida E eu sinto que em meu gesto Existe o teu gesto e em minha voz a tua voz Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado Quero só que surjas em mim Como a fé nos desesperados Para que eu possa levar Uma gota de orvalho Nesta terra amaldiçoada Que ficou sobre a minha carne Como nódoa do passado Eu deixarei Tu irás e encostarás a tua face em outra face Teus dedos enlaçarão outros dedos E tu desabrocharás para a madrugada Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu Porque eu fui o grande íntimo da noite Porque eu encostei minha face na face da noite E ouvi a tua fala amorosa Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa Suspensos no espaço E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado Eu ficarei só Como os veleiros nos portos silenciosos Mas eu te possuirei como ninguém Porque poderei partir E todas as lamentações do mar Do vento, do céu, das aves, das estrelas Serão a tua voz presente A tua voz ausente A tua voz serenizada Ausência (Vinicius de Moraes)

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