Meris passou a vida tentando salvar.
Desde pequena, cuidou de sua tia doente até os onze anos, quando a perda deixou um vazio que nunca se preencheu. Cresceu carregando a sensação de não ter feito o suficiente, um peso que a levou a se tornar voluntária socorrista. Mas, ironicamente, foi seu próprio coração que a fez parar. Agora, internada no hospital, ela encara dias iguais, onde o silêncio das paredes brancas ecoa mais alto que qualquer esperança.
Jay também conhece o gosto amargo da inutilidade. Filho de expectativas alheias, abandonou a faculdade de Direito ao perceber que sua vida não cabia em tribunais ou códigos. Sem rumo, encontrou no hospital,uma forma de estar presente para os outros: todos os dias, senta-se na sala de recreação com seu violão, tentando preencher de música o espaço que antes só guardava dor.
Quando Meris começa a desenhá-lo em segredo, acreditando que ele nunca perceberia, Jay descobre sua presença silenciosa. Esse encontro improvável dá início a uma conversa que se tornará a verdadeira trama da história. Entre rabiscos e acordes, eles compartilham feridas abertas, o medo de não serem suficientes e a busca por um propósito que vá além da dor.
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