Prólogo: O Acordo Silencioso A mansão tinha o hábito de guardar segredos nas dobras de suas cortinas de veludo e nos reflexos de seus espelhos de cristal. Era um lugar onde o tempo parecia suspenso, ditado não pelo relógio, mas pela vontade de Jonas. Na ala mais distante, Laura aprendera a sobreviver na sombra. Cada passo era medido, cada olhar era uma defesa. Havia uma expectativa silenciosa no ar, uma eletricidade que fazia a pele arrepiar ao menor ruído nos corredores. Laura era a peça que faltava em um tabuleiro cujas regras Jonas nunca ousou pronunciar, mas que ambos seguiam com uma precisão assustadora. Jonas a observava de longe, da penumbra do seu escritório. Para ele, Laura não era apenas uma presença; era um lembrete. Uma ferida que ele mantinha aberta por escolha própria. Ele podia tê-la expulsado a qualquer momento, mas preferia mantê-la ali, sob o seu teto, sob o seu controle, vigiando cada respiração, esperando pelo momento em que a máscara de ambos finalmente caísse. Eles eram dois estranhos vivendo sob o mesmo teto, unidos por um passado que nenhum dos dois tinha coragem de nomear. O luxo ao redor era apenas uma gaiola dourada. E, no silêncio da noite, ambos sabiam que a paz que reinava ali era apenas uma trégua antes da tempestade final. Ninguém sabia o que Jonas planejava. Ninguém sabia o que Laura escondia. Mas todos sentiam que, quando a verdade finalmente fosse revelada, nada naquela casa seria deixado de pé.
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