Para curar um universo imperfeito, um deus deve primeiro criar um mundo perfeito... e depois orquestrar a sua aniquilação.
No vale de Aethelgard, a paz é a única lei. Protegida por uma Deusa silenciosa de energia azul, uma civilização floresce numa harmonia perfeita, sem conhecer a dor, a doença ou o conflito. A sua existência é uma canção de ninar sem fim. Mas a jovem artista Lyra, atormentada por uma melancolia que não consegue nomear, sente uma dissonância na melodia perfeita, uma tristeza profunda na alma da sua deusa que mais ninguém parece notar.
Do outro lado das montanhas impenetráveis, no mundo de Askir, a vida é forjada no fogo e na dor. Sob a luz brutal de um sol impiedoso, este povo acredita que a luta é sagrada e que a paz de Aethelgard é uma blasfêmia que drena a vitalidade do mundo. Liderados pelo profeta Vorlag, o jovem e devoto guerreiro Joric é criado com um único propósito: tornar-se o martelo que esmagará o paraíso de vidro.
O que nenhum deles sabe é que este conflito iminente não é obra do acaso nem do destino. É o lance final de Kaelos, o Arquiteto cósmico, o mesmo ser que eles conhecem como a Deusa Kyira. Vendo uma falha fundamental na própria Criação, ele projeta uma cura desesperada: uma cirurgia de almas em escala planetária, onde a aniquilação de uns é a única esperança para todos.
Mas quando a ovelha sacrificial descobre a faca do pastor, e o martelo começa a sentir o peso das almas que deve esmagar, o plano perfeito de um deus pode sobreviver à vontade indomável daqueles que ele pretende sacrificar?
Num universo onde a perfeição gera a estagnação e a dor gera a força, qual é o verdadeiro preço da salvação? E pode uma mentira, mesmo que divina, alguma vez gerar uma verdade duradoura?
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