Minha mãe costumava dizer que eu era um menino de ouro aos seus olhos: calmo, educado e paciente. Nunca lhe chegou aos ouvidos qualquer reclamação que me envolvesse. As condições em que vivíamos eram simples, mas agíamos com um carinho e um amor que nunca nos faltaram. Minha mãe tinha muito medo de que, em algum momento, fosse abandonada, mas, dentre todas as minhas opções, essa foi uma que eu nunca cogitei.
Giulia, de vez em quando, elogiava meu lado racional e certeiro na maioria das coisas que eu fazia. Às vezes, ela se martirizava, dizendo que era uma péssima mãe por não conseguir me oferecer uma condição de vida melhor e se culpava por não conseguir me ajudar com os custos de uma faculdade.
Trabalhávamos dia e noite para manter a casa e pagar as dívidas que meu pai deixou para trás. A culpa de nossos problemas diários nunca foi dela; eu odiava quando ela brigava consigo mesma por tudo - quando se condenava por tudo. Eu só tinha a minha mãe; ela era tudo o que eu tinha. Não podia perdê-la de forma alguma.
Mas lá estava eu, dentro de uma cela, preso a sete chaves por algo que eu nunca fiz - pelo menos nem tudo. Não houve um dia em que deixei de amaldiçoar todos os que me fizeram estar dentro daquele lugar de merda. Porém, tudo pareceu mudar quando aquele homem, com os olhos perdidos e profundos, me puxou para fora da minha escuridão fúnebre e solitária para sofrer junto a ele.