Madu e Paulo Henrique sempre foram amigos. Desde os dezoito anos, quando se conheceram por acaso em uma festa, criaram uma ligação leve, espontânea e cheia de risadas. Ao longo dos anos, a amizade resistiu a tudo - aos namoros, às viagens, às mudanças e até ao tempo. Agora, adultos, moravam juntos em um apartamento moderno na cidade de SãoPaulo.
Ela, modelo, dona de uma beleza marcante e de uma personalidade difícil de ignorar. Ele, jogador do Palmeiras, camisa 10, e o tipo de homem que parecia ter o mundo aos seus pés. Apesar das vidas agitadas, sempre encontravam um no outro um refúgio. A casa que dividiam era um espaço de confiança, onde um cuidava do outro - sem segundas intenções.
Pelo menos, era assim até pouco tempo atrás.
Nos últimos dias, Madu vinha notando algo diferente. Paulo andava estranho - distraído, distante. Evitava ficar perto dela, o que era completamente novo. Antes, ele era o tipo que vivia provocando, fazendo piadas, jogando almofadas ou reclamando da bagunça que ela deixava pela sala. Agora, mal olhava nos olhos dela.
Às vezes, ela o flagrava observando em silêncio, como se tentasse entender algo que nem ele conseguia explicar. E quando ela o questionava, ele apenas desviava o olhar, coçava a nuca e dava uma desculpa qualquer.
A verdade é que, sem perceber, Paulo começou a vê-la diferente. Já não era apenas a amiga de sempre. Era a mulher que cruzava o corredor com o cabelo bagunçado e uma camiseta larga, e que sem esforço algum fazia o coração dele bater mais rápido.
Mas o que fazer quando a pessoa que sempre foi sua melhor amiga começa a despertar sentimentos que você nunca deveria sentir?
Paulo não sabia responder. Só sabia que algo estava mudando - e por mais que tentasse negar, já era tarde demais.
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