A ÚLTIMA MENSAGEM

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WpMetadataNoticeLast published Mon, Oct 13, 2025
ESSA HISTÓRIA NOS LEMBRA DE QUE SEMPRE DEVEMOS PERMANECER ALERTA.. Pode ser que uma inocente e simples mensagem seja a sua última..
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#22
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ESCARAS

Nas páginas de Eles nunca vão embora há uma transfiguração da própria visão do medo e, também, do desconhecido. A ação é contraposta a episódios de inércia, construindo por meio do diálogo das personagens e poucas intromissões do narrador o sentido de inação. Um quarto, um prédio no centro da cidade de São Paulo, um homem vegetando em uma cama, a curiosidade de duas amigas sobre o intrigante Bernardo, ingredientes que temperam a narração de maneira única. Encontrar um Bernardo com seu humor ácido não é difícil, o difícil é deixá-lo ir embora. A entrada apenas nos prepara. Deixa-nos neste canto escuro, para de lá seguir com A Libélula Pré-histórica. Ambientado em algum lugar entre a cidade e o interior do apartamento de Jorge. O segundo texto reserva uma densa criação literária. É pura poesia, exige, portanto, um olhar minucioso para os recortes de tempos psicológicos misturados a pinceladas poéticas de um narrador sensitivo. Esta voz está presente nos espaços entre pensamentos e cenas catárticas, em closes, em lugares onde guardamos o melhor e o pior de nós, na mistura entre falta de ação e enação - a propriedade de reconstrução de dentro pra fora. Escaras revela frutos da apaixonante desordem metropolitana por meio do estilo exótico e pós-moderno de Edu Moreira, um professor de Literatura, um incômodo social, uma voz, o homem insuportavelmente moderno. Publicou em 2009 O Jornalista, mas aprimorou em Escaras a sua personalidade literária. Provou-se significante voz dentre os autores contemporâneos, pois não há palavra certa para definir as sensações provocadas por sua literatura, contudo, e de fato, incomodam. E, se texto é identidade, assim como esses contos não terminam com o encontro entre medo e desejo, mas iniciam narrativas na procura de um pelo outro, o caminho escolhido pelo Edu haverá de encontrar amplitude (ou perder-se-á deliciosamente) por esses subvertidos mundos de personagens intrigantes.

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